Eleição Presidencial no Brasil em outubro de 2010

ago 25, 2010 Sin comentarios por
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Jorge Zaverucha

Os quatros candidatos mais importantes a sucessão presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva são: Dilma Rousseff (Partido Trabalhista, PT); José Serra (Partido da Social Democracia, PSDB); Marina Silva (Partido Verde, PV) e Plínio de Arruda Sampaio (Partido Socialismo e Liberdade, PSOL). Tanto Marina como Plínio são ex-membros do PT que deixaram o partido por discordarem da guinada ideológica de Lula rumo ao centro do espectro político.

Plínio de Arruda assim sintetizou sua divergência tanto com Lula como com José Serra: “Serra é a direita truculenta; Lula a direita malandra”. Plínio tem chances remotíssimas de chegar ao segundo turno. Segundo as pesquisas de opinião pública é o quarto colocado com votação inexpressiva. Já Marina que oscila entre 8% a 10% do eleitorado também não deve chegar ao segundo turno, mas pode influenciar a realização do mesmo. Desde que consiga atrair os votos dos indecisos de modo a evitar a vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno.

A disputa real é entre José Serra e Dilma Rousseff, ex-ministra da Casa Civil, com vantagem cada vez maior para a candidata petista. Há boas chances que ela venha a ganhar no primeiro turno, embora a eleição ainda não esteja definida. Mas a sua tendência de votos é ascendente ao longo dos últimos meses Em dezembro de 2009, Dilma perdia para Serra por 37% a 23%. Hoje já ultrapassou o candidato tucano e esta tendência parece irreversível. A menos que um fato novo abale a atual corrida eleitoral. Especialmente, em áreas onde a população mais pobre recebeu recursos materiais com o programa Bolsa Família.

Serra já dá sinais de desespero em sua campanha. A ponto de aparecer sua imagem com a de Lula em seu programa eleitoral. É que o Brasil está crescendo economicamente, a inflação está em queda, o consumo aumentando, o crédito se expandindo e o desemprego está declinando. Como não poderia ser de outro modo, a popularidade de Lula é altíssima. Há um forte sentimento popular pelo continuísmo governamental, mesmo que o atual governo tenha sido cúmplice internamente com a corrupção e condescendente com os violadores de direitos humanos em sua política externa.

Até este momento, o grande vitorioso, em termos eleitorais, é o presidente Lula. Escolheu Dilma na base do “dedazo”, pois ela não era a candidata do partido. O próprio Lula admite só tê-la conhecido há oito anos atrás. O lulismo é maior do que o petismo. Dilma que durante o regime militar pegou em armas, e era vista com desconfiança por setores da sociedade brasileira, vai sendo moldada pelo presidente Lula. Durante seu governo, ela por ser ideologicamente de esquerda, antagonizara-se com o Ministro da Fazenda Antonio Palocci. Ele foi o principal responsável pela política de austeridade do início do governo Lula.

Para acalmar a desconfiança do mercado sobre uma possível guinada rumo ao bolivarianismo, Lula conseguiu que Palocci se tornasse um dos mais importantes assessores de Dilma. Retirando, pelo menos publicamente, a forte influencia de José Dirceu sobre o comando da campanha da mesma. José Dirceu é conhecido pela sua simpatia pelo regime cubano e teve seu mandato parlamentar cassado, em 2005, por suposta prática de corrupção.

Esta mudança, se não for de fachada, é um sinal de que sendo eleita Dilma optará por uma rígida política fiscal nos seus primeiros anos de governo. Para satisfazer o sentimento anti-mercado de setores do PT ela incentivará o aprofundamento do capitalismo de estado, tal como ocorrido durante o regime militar. Deverá manter a mesma política externa de tonalidade anti-EUA que foi uma concessão de Lula a ala esquerda de seu partido.

Lula será o grande vitorioso eleitoral, mas o fará à custa de um retrocesso na qualidade da democracia brasileira. Lula, no melhor estilo de Getulio Vargas, considera-se o “pai dos pobres e Dilma é apresentada como a “mãe dos pobres”. Como bem salientou a candidata Marina Silva, “o Brasil amadureceu. Não precisa ser uma sociedade infantilizada. Querem infantilizar os brasileiros com essa história de pai e mãe”. O fato é quem em vez de fortalecer as instituições democráticas Lula reforçou o patrimonialismo e suas ramificações: o populismo e o clientelismo. É um discurso retrógrado e conservador, similar ao dos antigos coronéis da direita brasileira. Tão bem retratado por Victor Nunes Leal em seu famoso livro “Coronelismo, Enxada e Voto”. Só que agora com um verniz de esquerda, pois Lula é fortemente apoiado pelo sistema financeiro e empresarial. Leonel Brizola, ex-governador do Rio de Janeiro, antes de morrer cunhou uma frase lapidar: “O PT é a esquerda que a direita gosta”.



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Jorge Zaverucha


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Doutor em Ciência Política pela Universidade de Chicago é diretor do Núcleo de Estudos de Instituições Coercitivas e da Criminalidade da Universidade Federal de Pernambuco.
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